Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

.: 124. A Conspiração de Papel, David Liss :.

416 páginas

 

Sinopse:

Benjamin Weaver, judeu português, detective, espadachim e um famoso ex-boxeur, move-se com maestria e confiança na Londres do século XVIII. Trabalhando para clientes aristocratas na cobrança de dívidas difíceis, vive afastado da família devido à má relação com o seu pai, um abastado investidor da bolsa. Mas quando este é brutalmente assassinado, não pode ficar de braços cruzados.
Descendo ao submundo do crime londrino, Weaver ziguezagueia entre bordéis, cervejarias, prisões e casas de jogo, para descobrir uma conspiração que o ameaça não só a si, mas também à própria Inglaterra. Um romance histórico fascinante, A Conspiração de Papel arrebata os leitores, página atrás de página, com um enredo envolvente e personagens apaixonantes de um período único da história.

 

Opinião:

Este livro foca-se num tema não muito utilizado para construir romances históricos: a especulação e o mundo das accções. Em A Conspiração de Papel somos transportados até à Londres do século XVIII, ao período durante o qual decorreu o que é considerado o primeiro crash da bolsa no mundo de língua inglesa: a Bolha da Mar do Sul. É, por isso, uma obra que descreve em alguns pontos o funcionamento do mercado de accções naqueles dias. À partida, pode parecer um tema um pouco aborrecido, mas revelou-se muito interessante.

Interessante também foi o facto de o enredo girar em volta das aventuras de um judeu português. É sempre uma surpresa agradável e divertida encontrar referências ao nosso país em obras escritas no estrangeiro.

Este livro foi uma óptima companhia. Gostei muito da história, que consegue ser bastante emocionante.

Sílvia às 18:29
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

.: 120. Memoirs of a Geisha, Arthur Golden :.

488 páginas

 

Sinopse:

Sayuri tinha um olhar invulgarmente belo, de um cinzento translúcido, aquático, a reflectir numa miríade de cristais límpidos o brilho prismático e incandescente do universo perfeito e atroz sobre o qual repousava. Era uma transparência súbita, inesperada, a contrastar violentamente com a estranha opacidade branca da máscara onde sobressaíam uns lábios exageradamente vermelhos. E se os olhos ainda reflectiam Chiyo, a menina de nove anos, filha de pescadores, de uma cidade remota, junto ao mar, a máscara inquietantemente delicada, o penteado ostensivo, a sumptuosidade dos quimonos de brocados, ricamente ornamentados, pertenciam à mulher em que ela se tinha tornado, Sayuri, uma das mais célebres gueixas do Japão dos anos 30. É este mundo anómalo, secreto e decadente, construído sobre cenários de papel de arroz e que parece ser a manifestação da própria fantasia erótica masculina que Golden evoca com uma autenticidade notável e um lirismo requintadamente raro. Um romance sobre o desejo e a natureza indominável do espírito humano; desafiador, cativante pela pureza da prosa, pela prodigalidade das nuances, das atmosferas, das imagens esculpidas com a precisão e subtileza da arte do bonsai.

 

Opinião:

Peguei neste livro cheia de curiosidade, mas também tentando não criar expectativas demasiado altas. Não sou alguém muito picunhas no que toca a leituras - gosto de variar e de experimentar um pouco de cada estilo e género. No entanto, um livro sobre as tradicionais gueixas não é algo que nos apareça pela frente a toda a hora. Tinha receio que um tema tão invulgar tivesse resultado numa obra pesada e aborrecida.

Não sei se essas expectativas contidas contribuiram para o facto, mas a verdade é que me apaixonei pelo livro. É em tudo perfeito: no enredo, na linguagem, na forma como a personagem principal me pareceu tão viva, como se saltasse das páginas. Esta foi uma história que me envolveu completamente e que pede para ser saboreada com calma; por isso levei algum tempo a terminar a leitura, mas valeu muito a pena.

Aprendi imenso sobre um tema que nunca pensei ser do meu interesse. É fascinante ver como era a vida de uma gueixa nos anos 30, e espreitar um pouco do mistério e de toda a tradição que as envolve. Este foi, sem dúvida, o melhor livro que li durante este ano. Recomendo a todos!

Sílvia às 17:07
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

.: 113. The Historian, Elizabeth Kostova :.

704 páginas

 

Nas tuas mãos, leitor, entrego a minha história…

 

Sinopse:

Uma noite, já muito tarde, explorando a biblioteca do pai, uma jovem mulher encontra um livro antigo e um pacote de cartas amarelecidas agoirentamente destinadas ao "Meu querido e desgraçado sucessor". Este achado vai mergulhá-la num mundo com que nunca sonhou - um labirinto onde os segredos do passado do pai e o misterioso destino da mãe se ligam a um mal escondido nas profundezas da história.
Uma sociedade secreta numa luta de séculos contra a mais terrível encarnação do mal. A aventura de uma jovem mulher em busca da verdade sobre os seus pais e sobre o destino do homem que inspirou a lenda de Drácula.
O livro de Elizabeth Kostova é uma aventura de proporções monumentais, fundindo a realidade e a ficção, a história e o fantástico, o presente e o passado, a narrativa na primeira pessoa e diários, cartas, documentos, o romance histórico e o psicológico, o thriller literário e a história de amor.

 

Opinião:

Este não é, definitivamente, o típico livro sobre vampiros e temas afins. Aliás, numa altura em que os vampiros estão tão na moda, surpreende por ser radicalmente diferente dos padrões habituais para este tipo de histórias.

É um pouco denso; na verdade, muito denso, já que todo o enredo tem como base o caminho de um historiador e a forma como este se emebrenha no mundo de uma personagem bem conhecida: Drácula.

O livro está carregado de factos históricos; esta é, assim, uma obra que se quer lida com calma, até porque desenrola-se com muita lentidão. Talvez o facto de o ter lido em Inglês possa ter contribuido para ter demorado umas boas semanas a acabá-lo, mas é na verdade um livro que não é feito para ser lido de um fôlego.

Apesar de o enredo me ter agradado - não me surpreendeu por aí além, nem me prendeu de forma inequívoca - fiquei muito desiludida com o final, que me pareceu um pouco... bem... chocho, digamos assim. Num livro mais pequeno e não tão denso, seria de facto um final muito bom, no mínimo satisfatório; no entanto, depois de se ter lido uma obra tão grande e tão cheia de factos como esta, ficamos à espera de algo mais excitante.

Sílvia às 18:11
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

.: 112. O Símbolo Perdido, Dan Brown :.

572 páginas

 

Sinopse:

 

Washington, D. C.: Robert Langdon, simbologista de Harvard, é convidado à última hora para dar uma palestra no Capitólio. Contudo, pouco depois da sua chegada, é descoberto no centro Rotunda um estranho objecto com cinco símbolos bizarros.
Robert Langdon reconhece-os: trata-se de um convite ancestral para um mundo perdido de saberes esotéricos e ocultos.

Quando Peter Solomon, eminente maçom e filantropo, é brutalmente raptado, Langdon compreende que só poderá salvar o seu mentor se aceitar o misterioso apelo.

Langdon vê-se rapidamente arrastado para aquilo que se encontra por detrás das fachadas da cidade mais poderosa da América: câmaras ocultas, templos e túneis. Tudo o que lhe era familiar se transforma num mundo sombrio e clandestino, habilmente escondido, onde segredos e revelações da Maçonaria o conduzem a uma única verdade, impossível e inconcebível.

Trama de história veladas, símbolos secretos e códigos enigmáticos, tecida com brilhantismo, O Símbolo Perdido é um thriller surpreendente e arrebatador que nos surpreende a cada página.
O segredo mais extraordinário e chocante é aquele que se esconde diante dos nossos olhos…

 

Opinião:

 

Como sempre acontece com os livros de Dan Brown, este foi um daqueles que se leu num fôlego, com o ritmo do enredo a prender-me completamente em cada página.

Muito se fala de Dan Brown: uns amam, outros odeiam... para mim, é um autor capaz de "produzir" boa literatura, que serve o propósito do entretenimento ao mesmo tempo que espicaça a curiosidade dos leitores acerca de vários temas históricos e científicos.

 

Este é um livro que não foge ao estilo de Dan Brown, que aposta num ritmo alucinante para contar a sua história, quase como se estivéssemos imersos num filme de acção.  É uma das características da sua escrita que mais me agrada, já que as páginas correm a uma velocidade impressionante pelos meus dedos de cada vez que pego numa destas obras. São fáceis de ler, sem serem pobres em termos de enredo.

 

Há, no entanto, um detalhe, que me parece também já fazer parte do estilo do autor, que pode vir a retirar valor aos seus livros, se continuar a verificar-se. Já é possível distinguir um padrão na forma como Dan Brown constrói os seus enredos, especialmente nos três livros que constituem a "série Robert Langdon": contam sempre com a presença de uma personagem violenta, talvez um pouco louca - o mau da fita, vá -  que tem ideais bem demarcados que a levam a cometer os actos atrozes que dão o mote a grande parte da história. E Langdon nunca está mal acompanhado: tem sempre ao seu lado uma mulher bonita e inteligente para o ajudar a desvendar o mistério. Penso que esta tendência poderá vir a tornar os livros de Dan Brown, sempre tão interessantes, em obras um pouco repetitivas e até previsíveis. Afinal, quando existe um padrão, é sempre possível descobrir, aqui e ali, o que virá a seguir. Esperemos que o escritor não caia no erro de repetir esta estrutura de enredo nos próximos livros.

Sílvia às 18:01
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Domingo, 25 de Outubro de 2009

.: 109. Memorial do Convento, José Saramago :.

360 páginas

 

Sinopse:

 

Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra.
Era uma vez a gente que construiu esse convento.
Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes.
Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido.
Era uma vez.

 

Aproximam-se agora um homem que deixou a mão esquerda na guerra e uma mulher que veio ao mundo com o misterioso poder de ver o que há por trás da pele das pessoas. Ele chama-se Baltasar Mateus e tem a alcunha de Sete-Sóis, a ela conhecem-na pelo nome de Blimunda, e também pelo apodo de Sete-Luas que lhe foi acrescentado depois, porque está escrito que onde haja um sol terá de haver uma lua, e que só a presença conjunta e harmoniosa de um e do outro tornará habitável, pelo amor, a terra.
Aproximam-se também um padre jesuíta chamado Bartolomeu que inventou uma máquina capaz de subir ao céu e voar sem outro combustível que não seja a vontade humana, essa que, segundo se vem dizendo, tudo pode, mas que não pôde, ou não soube, ou não quis, até hoje, ser o sol e a lua da simples bondade ou do ainda mais simples respeito. São três loucos portugueses do século XVIII, num tempo e num país onde floresceram as superstições e as fogueiras da Inquisição, onde a vaidade e a megalomania de um rei fizeram erguer um convento, um palácio e uma basílica que haveriam de assombrar o mundo exterior, no caso pouco provável de esse mundo ter olhos bastantes para ver Portugal, tal como sabemos que os tinha Blimunda para ver o que escondido estava... E também se aproxima uma multidão de milhares e milhares de homens com as mãos sujas e calosas, com o corpo exausto de haver levantado, durante anos a fio, pedra a pedra, os muros implacáveis do convento, as salas enormes do palácio, as colunas e as pilastras, as aéreas torres sineiras, a cúpula da basílica suspensa sobre o vazio. Os sons que estamos a ouvir são do cravo de Domenico Scarlatti, que não sabe se deve rir ou chorar...


José Saramago

 

Opinião:

 

Este foi o terceiro livro que li deste autor, e também, desses três, o que foi escrito há mais tempo. São visíveis algumas diferenças, quer na forma de "contar a história," quer na linguagem, mas o que nunca deixa de estar presente é o inconfundível estilo de Saramago.

É uma obra um pouco mais densa, que tem que ser lida com calma e com o espiríto certo para se poder saborear a belíssima historia de amor, (entre tantas outras histórias) que transmite.

 

Penso, no entanto, que uma melhor escolha poderia ter sido feita no que toca à obra de Saramago que integra o programa de Português de 12º ano. Não que este não seja um livro fabuloso, que o é. Mas a verdade é que muitos dos estudantes que chegam ao 12º nunca antes tiveram contacto com a escrita de Saramago. E esta é uma obra que, a acrescentar ao estilo pouco ortodoxo do escritor, tem uma linguagem muitas vezes complicada e um enredo com alguns momentos pesados, que não se lêem facilmente. Todos estes factores podem servir não o objectivo de motivar para que se conheça melhor Saramago e a sua obra, mas conduzir ao exacto oposto.

 

Espero, apesar de tudo, que esses casos sejam a excepção à regra. Depois do choque inicial, cada página da sua obra é uma verdadeira delícia!

Sílvia às 10:52
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