Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

.: 134. Perfume: The Story of a Murderer, Patrick Süskind :.

276 páginas

Sinopse:

Survivor, genius, perfumer, killer: this is Jean-Baptiste Grenouille. He is abandoned on the filthy streets of Paris as a child, but grows up to discover he has an extraordinary gift: a sense of smell more powerful than any other human's. Soon, he is creating the most sublime fragrances in all the city. Yet there is one odor he cannot capture. It is exquisite, magical: the scent of a young virgin. And to get it he must kill. And kill. And kill.

 

Opinião:

Um livro verdadeiramente único, que é construído de uma forma arriscada: toda a história se desenrola em volta de cheiros, perfumes... algo que é difícil de passar para o papel de forma verossímil. É realmente uma obra onde somos guiados por um forte sentido de olfacto, onde vemos o mundo de forma diferente. As descrições são deliciosas e muito bem construídas,  feitas com tanta vivacidade que quase conseguimos sentir-nos envolvidos nos diferentes cheiros. O autor guia-nos detalhadamente pelos processos de criação de um perfume - pelo menos, os que se utilizavam há algumas décadas atrás - e adorei que esse tipo de informação fosse incluído: torna o livro numa fonte de aprendizagem.

No início, o enredo não se centra muito na vertente de thriller que é utilizada para descrever a obra; esta é, no entanto, a história de um assassino, que embora não faça jus a essse nome durante grande parte do livro, acaba por ganhar terreno e compensar essa "falha" já nos capítulos finais. A forma como a história termina foi, a meu ver, muito bem elaborada - um óptimo final para um livro que não devem perder.

Sílvia às 10:34
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Sexta-feira, 12 de Março de 2010

.: 130. The Curious Incident of the Dog in the Night-Time, Mark Haddon :.

236 páginas

 

Sinopse:

Referido pelo The Times como «um dos melhores livros de 2003» O Estranho Caso do Cão Morto é muito divertido. Conta a história de Christopher Boone, um miúdo autista, com apenas 15 anos que vive enredado no seu próprio mundo, longe de tudo e de todos. Possui uma memória fotográfica e é um aluno excelente a matemática e a ciências mas detesta o amarelo e o castanho e não suporta que alguém lhe toque. Absorvido pela sua doença, Christopher desperta um dia quando encontra o cão da sua vizinha morto, no meio do jardim, com uma forquilha atravessada. A partir daqui nunca mais será o mesmo pois só descansará quando descobrir quem cometeu tão atroz crime. Uma obra de humor irónico, que irá em breve ser adaptada ao cinema, pois os direitos para filme foram já adquiridos pelos produtores de Harry Potter, contando com Brad Pitt como actor.

 

Opinião:

Um livro diferente, para dizer o mínimo. Nunca tinha lido nenhuma obra que focasse o tema do autismo, e este revelou-se muito esclarecedor e surpreendentemente divertido.

Penso que dá uma boa visão do que pode ser a vida de uma criança com este problema., bem como das dificuldades e desafios que os pais enfrentam. É escrito do ponto de vista do protagonista, e isso dá-lhe também um estilo único, que torna a leitura muito fácil. Leiam se estiverem à procura de algo inesperado e que fuja aos padrões normais. 

Sílvia às 21:22
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.: 129. Caim, José Saramago :.

182 páginas

 

Sinopse:

Quem diabo é este Deus que, para enaltecer Abel, despreza Caim?

Se em O Evangelho Segundo Cristo José Saramago nos deu a sua visão do Novo Testamento, em Caim regressa aos primeiros livros da Bíblia. Num itinerário heterodoxo, percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha pela mão dos principais protagonistas do Antigo Testamento, imprimindo ao texto o humor refinado que caracteriza a sua obra.

Caim revela o que há de moderno e surpreendente na prosa de Saramago: a capacidade de fazer nova uma história que se conhece do princípio ao fim. Um relato irónico e mordaz no qual o leitor assiste a uma guerra secular, e de certa forma, involuntária, entre o criador e a sua criatura.

 

Opinião:

Finalmente consegui deitar as mãos ao livro que tanta polémica gerou há alguns meses.

Gostei bastante da forma como Saramago pôs Caim a viajar "para trás e para diante" no tempo, levando-nos com ele a percorrer, de certa forma, alguns dos mais conhecidos episódios da Bíblia. O estilo é o de sempre: divertido, irónico, sarcástico, crítico... A escrita tão característica continua lá, claro, bem como o hábito que Saramago tem de dialogar com o leitor e que eu tanto aprecio.

Quanto às críticas que faz e à forma como encara a religião... Relativamente ao segundo ponto nada há a dizer, já que cada um é - ou deveria ser - livre de tomar a posição que bem entender em relação às diversas religiões. Em relação ao primeiro ponto, devo dizer que só numa altura me pareceu que o escritor talvez tivesse ido longe demais, quando apelidou Deus de filho-da-p**a. De resto, não posso dizer que discorde das críticas e interrogações que fez àcerca da crueldade de Deus e da violência contida na Bíblia, já que muitas tinham passado anteriormente pela minha mente.

Um livro altamente recomendável.

Sílvia às 21:11
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Sábado, 12 de Dezembro de 2009

.: 118. Everyman, Philip Roth :.


182 páginas


 

Sinopse:

Numa narrativa directa, íntima e ao mesmo tempo universal, Philip Roth explora o tema da perda, do arrependimento e do estoicismo. O autor de A Conpiração Contra a América, que relatava o encontro angustiante de uma família com a história, volta agora a sua atenção para a luta de um homem contra a mortalidade. Acompanhamos o destino do homem comum de Roth a partir do seu primeiro confronto com a morte, nas praias idílicas dos verões da infância, passando pelos conflitos familiares e pelas realizações profissionais da idade adulta, até a velhice, quando fica dilacerado ao constatar a deterioração dos seus contemporâneos e dele próprio, atormentado por uma série de males físicos.

Artista comercial de sucesso, a trabalhar numa agência publicitária em Nova York, tem dois filhos do primeiro casamento, que o desprezam, e uma filha do segundo casamento, que o adora. É amado pelo irmão, um homem bom cuja saúde perfeita acaba por despertar a sua inveja rancorosa, e é também o ex-marido solitário de três mulheres muito diferentes, tendo ele próprio destroçado os três casamentos. No final, é um homem que se transformou naquilo que não quer ser.

 

Opinião:

Uma história que se centre sobretudo num só personagem pode parecer algo que facilmente se tornará aborrecido, mas este livro revelou-se como uma excepção à regra.

Everyman apresenta-nos um homem sem nome, um homem que pretende representar todos os homens. Ao longo do livro, acompanhamos a história da sua vida, mas apercebemo-nos acima de tudo das suas frustrações e arrependimentos. O enredo consegue ser muito triste, muito deprimente; no entanto, é impossível não ser "agarrado" pela impressionante caracterização que Roth faz desta personagem.

Este é um livro que me agradou, e que me deixou bastante curiosa em relação à obra de Philip Roth.

Sílvia às 17:20
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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

.: 114. As Intermitências da Morte, José Saramago :.

216 páginas

 

Sinopse:

No dia seguinte ninguém morreu.

 

Assim começa este novo romance de José Saramago.

Que a morte tem as suas extravagancias, já todos nós sabíamos. Mas que se cansasse de exercer a sua principal actividade, nunca nos passou pela cabeça!

Imagine que, de um momento para o outro, num certo país, as pessoas deixam de morrer. Estarão os líderes e os habitantes desse país preparados para gerir a vida eterna e as suas consequências?

Colocada a hipótese, o autor desenvolve-a em todas as suas vertentes, e o leitor é conduzido com mão de mestre numa ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência.

 

Opinião:

Fantástico. Já ouvi dizer que esta é possivelmente a obra da vida de Saramago, e embora não tenha tanta notoriedade como o Memorial do Convento, por exemplo, é sem dúvida um livro excepcional.

Saramago retrata a morte como nunca antes foi feito; para muitos de nós é o medo supremo, o medo de morrer, mas aqui conseguímos até simpatizar com esta figura tão temível. Por vezes, penso que fiquei até com pena.

Uma óptima escolha, este livro, para quem pretende começar a ler Saramago: é pequenino, tem um enredo que quase se pode classificar como um pouco louco... lê-se de um fôlego.

Sílvia às 12:21
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