Domingo, 25 de Outubro de 2009

.: 109. Memorial do Convento, José Saramago :.

360 páginas

 

Sinopse:

 

Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra.
Era uma vez a gente que construiu esse convento.
Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes.
Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido.
Era uma vez.

 

Aproximam-se agora um homem que deixou a mão esquerda na guerra e uma mulher que veio ao mundo com o misterioso poder de ver o que há por trás da pele das pessoas. Ele chama-se Baltasar Mateus e tem a alcunha de Sete-Sóis, a ela conhecem-na pelo nome de Blimunda, e também pelo apodo de Sete-Luas que lhe foi acrescentado depois, porque está escrito que onde haja um sol terá de haver uma lua, e que só a presença conjunta e harmoniosa de um e do outro tornará habitável, pelo amor, a terra.
Aproximam-se também um padre jesuíta chamado Bartolomeu que inventou uma máquina capaz de subir ao céu e voar sem outro combustível que não seja a vontade humana, essa que, segundo se vem dizendo, tudo pode, mas que não pôde, ou não soube, ou não quis, até hoje, ser o sol e a lua da simples bondade ou do ainda mais simples respeito. São três loucos portugueses do século XVIII, num tempo e num país onde floresceram as superstições e as fogueiras da Inquisição, onde a vaidade e a megalomania de um rei fizeram erguer um convento, um palácio e uma basílica que haveriam de assombrar o mundo exterior, no caso pouco provável de esse mundo ter olhos bastantes para ver Portugal, tal como sabemos que os tinha Blimunda para ver o que escondido estava... E também se aproxima uma multidão de milhares e milhares de homens com as mãos sujas e calosas, com o corpo exausto de haver levantado, durante anos a fio, pedra a pedra, os muros implacáveis do convento, as salas enormes do palácio, as colunas e as pilastras, as aéreas torres sineiras, a cúpula da basílica suspensa sobre o vazio. Os sons que estamos a ouvir são do cravo de Domenico Scarlatti, que não sabe se deve rir ou chorar...


José Saramago

 

Opinião:

 

Este foi o terceiro livro que li deste autor, e também, desses três, o que foi escrito há mais tempo. São visíveis algumas diferenças, quer na forma de "contar a história," quer na linguagem, mas o que nunca deixa de estar presente é o inconfundível estilo de Saramago.

É uma obra um pouco mais densa, que tem que ser lida com calma e com o espiríto certo para se poder saborear a belíssima historia de amor, (entre tantas outras histórias) que transmite.

 

Penso, no entanto, que uma melhor escolha poderia ter sido feita no que toca à obra de Saramago que integra o programa de Português de 12º ano. Não que este não seja um livro fabuloso, que o é. Mas a verdade é que muitos dos estudantes que chegam ao 12º nunca antes tiveram contacto com a escrita de Saramago. E esta é uma obra que, a acrescentar ao estilo pouco ortodoxo do escritor, tem uma linguagem muitas vezes complicada e um enredo com alguns momentos pesados, que não se lêem facilmente. Todos estes factores podem servir não o objectivo de motivar para que se conheça melhor Saramago e a sua obra, mas conduzir ao exacto oposto.

 

Espero, apesar de tudo, que esses casos sejam a excepção à regra. Depois do choque inicial, cada página da sua obra é uma verdadeira delícia!

Sílvia às 10:52
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