Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

.: 123. Sputnik Meu Amor, Haruki Murakami :.

238 páginas

 

Sinopse:

Narrativa on the road, ensaio sobre o desejo humano e especulação sobre o destino, o livro de Haruki Murakami é um exuberante exemplo da arte de um dos mais importantes escritores do Japão contemporâneo.

 

Acordo às três da manhã, acendo a luz, sento-me na cama e fico a olhar para o telefone na mesa de cabeceira. Imagino Sumire numa cabina, a acender um cigarro e a marcar o meu número. Tem o cabelo despenteado, veste um casaco de tweed que lhe está demasiado grande, peúgas desirmanadas. Franze o sobrolho, engasga-se com o fumo do cigarro. Demora imenso tempo a discar correctamente o número. Tem a cabeça cheia de coisas que me quer dizer. Pode muito bem acontecer que fique a conversar comigo até de manhãzinha. Sobre a diferença entre signo e símbolo, por exemplo. O telefone parece que vai tocar a todo o momento, mas continua mudo. E ali fico eu, deitado na cama, sem tirar os olhos do aparelho, que teima em não tocar.

 

Opinião:

Este foi o primeiro livro que li deste autor. Tinha alguma curiosidade em experimentar um livro dele, já que a impressão geral com que fiquei ao ouvir falar dos seus livros foi positiva.

 

Ao ler este livro, no entanto, não consigo dizer ao certo se gostei ao não. Pode parecer estranho, eu sei. Normalmente ou se gosta, ou não. Mesmo quando estamos num meio termo, inclinamo-nos sempre um pouco mais para um dos extremos. Esta obra, no entanto, é um pouco dúbia. Lê-se bem, não é muito pesada, mas a história que encerra não condiz com esta aparente leveza: é extremamente complexa. A escrita do autor agradou-me, embora fosse um pouco fora do vulgar. Já o enredo não me cativou por aí além - acho que começou a tornar-se demasiado estranho para o meu gosto. O livro é quase poético, tanto na escrita como na história em si; embora muitos leitores gostem desse estilo, eu prefiro os enredos mais "concretos", enquanto que este era mais abstracto; um daqueles que parecem estar cheios de significados ocultos. Sou, no que toca às leituras, uma amante de obras mais directas.

Pretendo, no entanto, ler um pouco mais da obra deste autor antes de construir uma opinião concreta sobre a mesma.

Sílvia às 22:13
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